O menino da missa...
18.04
Olá, olá, olá! Peço desculpa pela minha ausência, tive um trimestre na faculdade terrível e durante as férias da Páscoa não tinha computador com internet para poder escrever no blog. Não me esqueci de todo deste projecto e nunca pensei em desistir dele. Aliás, estava ansiosa por voltar! Espero conseguir publicar mais textos a partir de agora.
No dia 22 de Março, fui à missa do dia do pai onde costumo ir, em Portugal. Como sempre, o padre fez uma Eucaristia especial para celebrar o dia de S. José, juntando as crianças da catequese com os seus pais, que normalmente costumam sentar-se separados ou, na maioria dos casos, os pais das crianças nem vão à missa e passam a buscá-los no final. No meio da alegria e da agitação dos miúdos por estarem bem acompanhados e o ritual normal da celebração, houve uma criança muito especial que me deixou o coração cheio. Um dos meninos mais felizes que alguma vez vi, com um sorriso de orelha a orelha no momento da Comunhão, quando o padre lhe dá a óstia, pondo-se de bicos de pés para chegar o mais alto possivel, com uma ânsia de comungar enorme. Foi para o seu sítio saltitando... Atrás estava o seu pai. A pessoa mais triste daquela igreja, completamente o oposto do filho. O seu corpo, a sua cara com um ar desgastado, frustrado, sem forças. Estava desolado... O menino era careca, não tinha pelos nenhuns no corpo, o que me fez perceber logo que o menino da missa tinha cancro... No entanto, os seus olhos brilhavam, a sua vontade de viver era contagiante, o valor que dava a pequenas coisas da vida era invejável! Onde é que ele ia buscar esta força? Como podia estar tão feliz? Será que ele não se apercebe da gravidade da doença? Não, nada disto... Este menino sabia tudo, era esperto.
Quando o vi tive vontade de chorar e rir ao mesmo tempo. Não entendia como meninos tão pequenos podem sofrer de uma doença tão horrível. Além disso, não conseguia e ainda não sou capaz de compreender como podia ser tão feliz... Impressionante! Este menino deixou-me a sorrir o resto do dia. Não sei o nome dele nem sei o voltarei a ver, mas aquele minuto que o vi marcará toda a minha vida, de certeza.